Capital de Giro: como calcular e controlar saúde financeira da sua empresa?

Flávia Volpi - 11/12/2017 - 0 Comentário(s)

O Capital de Giro relaciona-se diretamente à capacidade de uma empresa equacionar os seus débitos com meios próprios. Mesmo sendo um fator que deve ser contemplado já no plano de negócios, há quem descuide de sua manutenção.

Manter um volume de recursos que permita à empresa responder a eventuais aumentos nos custos é muito importante porque evita o endividamento com empréstimos.

Esses recursos têm origem — pelo menos nas empresas financeiramente saudáveis — no capital destinado ao giro.

Portanto, é hora de nos aprofundarmos um pouco mais na sua definição, descobrindo para que serve exatamente e como controlar os pagamentos a serem feitos pelos clientes.

No final do artigo, você deverá ter uma visão mais clara sobre o que significa manter essa reserva estratégica. Boa leitura!

A formação do capital de giro

Antes de uma empresa iniciar suas atividades, ela precisará de capital para dar conta de duas frentes:

  • ativo imobilizado: todo negócio físico precisa comprar móveis, utensílios, material de escritório, equipamentos ou um imóvel para começar suas atividades. Esse patrimônio que é adquirido e que permanece relativamente estável, sem gerar receitas, é considerado como um investimento fixo. Ou seja, é o que a empresa precisa para poder começar a operar;
  • reserva de recursos: uma vez que a estrutura esteja pronta, é hora de começar a fazer negócios. Estar ativo implica contrair dívidas, que, no começo, não poderão ser custeadas com os recursos dos clientes. Para financiar o período de operações em que o lucro não será percebido, deve-se manter uma espécie de reserva prudente.

São esses recursos, destinados a manter a empresa em atividade, que compõem o capital de giro. Mas a questão não termina aqui.

Ao considerar o montante necessário para fazer a empresa “girar”, ou seja, cumprir com suas obrigações e pagamentos para voltar ao ciclo de negócios, é necessário separar o que é receita e o que é despesa.

Tudo que possa ser elencado como recurso de reposição rápida deve ser considerado como receita. Da mesma forma, despesas que surgem periodicamente, e que não possam ser postergadas sem comprometer as operações, devem ser colocadas no outro lado da balança.

Nesse conjunto, as receitas são os recursos que entram imediatamente no caixa, estoque, saldo bancário, dividendos, rendimentos de capital investido e tudo que representa liquidez, imediata ou em curto prazo.

Por sua vez, despesas com contas de água, luz, combustíveis, internet, folha de pagamento e outras que exijam capacidade instantânea para serem cobertas, precisam ser calculadas com precisão.

Por todos esses fatores, o montante que resulta dessa balança é conhecido como capital de giro líquido.

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O cálculo do capital de giro líquido — CGL

Na contabilidade, tudo que não está imobilizado e representa saldo positivo é definido como Ativo Circulante (AC). Do outro lado, estará o seu correspondente negativo, o Passivo Circulante (PC).

Esses termos são geralmente empregados pelos profissionais para fazer o cálculo do CGL, o capital de giro líquido.

A essa altura, você deve estar se perguntando “e o lucro, onde fica”? Pois é justamente para garantir o lucro que o CGL se destina.

Sem a proteção que ele oferece, a lucratividade pode ser seriamente comprometida, pois não haverá uma margem segura para saber o quanto os sócios poderão retirar ou reinvestir no negócio.

Essa reserva financeira deverá ser sempre mantida, afinal, há imprevistos — que acabam se tornando parte da rotina — não contemplados no orçamento que demandam recursos para serem cobertos.

Por exemplo, vamos supor que um carro de sua empresa sofreu uma avaria. De onde sairão os recursos para cobrir os gastos com os reparos? Exatamente, do capital de giro, e não de empréstimos bancários.

Trata-se de um custo não previsto, mas que pode ser coberto sem sustos, quando a empresa conta com uma reserva destinada a essa finalidade.

A conta é relativamente simples — embora deva ser precedida de outros cálculos. Vamos supor que uma empresa registrou, ao fim do mês, R$ 14.300,00 em receitas e R$ 8.520,00 em despesas. O CGL apurado ficaria, então, desta forma:

CGL = AC – PC

CGL = 14.300 – 8.520

CGL = R$ 5.720,00

No entanto, é preciso considerar ainda aquele custo não previsto com o reparo do veículo, que totalizou R$ 500,00. Felizmente, o CGL garante o pagamento desse custo imprevisto, que poderia ser, por exemplo, uma demissão ou qualquer outro gasto que fuja ao controle rotineiro da empresa.

A compreensão do que é o fluxo de caixa

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Se o montante destinado ao giro ainda não é bem compreendido por parte dos empreendedores, automaticamente teremos uma outra confusão, que diz respeito ao fluxo de caixa.

Há quem entenda que um fluxo de caixa positivo é igual ao lucro, mas não é bem assim que funciona. Para ficar mais claro, vamos a outro caso hipotético:

A empresa X, ao final do mês, registrou um fluxo de caixa de R$ 9.400,00. Desse total, metade só será recebido em 90 dias. Logo, no fim do período de 30 dias, o fluxo de caixa gerou R$ 4.700,00 em Ativo Circulante.

Por outro lado, as despesas do mês, contabilizando as despesas fixas e variáveis, totalizaram R$ 2.780,00. Portanto, nesse período, o lucro percebido foi de R$ 1.920,00.

Você ficou satisfeito em ver que, por mais um mês, a empresa registrou lucro. Mas aí você lembrou que o conserto daquele carro “comeu” R$ 500,00 do valor reservado como margem de segurança.

Portanto, desses R$ 1.920,00, você deverá deduzir o valor do reparo do veículo. Seu capital de giro líquido fica garantido, e você ainda percebeu lucro. Parabéns!

No geral, o controle do capital de giro depende do minucioso acompanhamento das finanças e exige a manutenção de um fluxo de caixa em detalhes, conhecendo as fontes de lucro da empresa e a correta apuração de prazos para reposição de recursos, com especial atenção ao estoque.

Por outro lado, a fim de evitar a falta de capital de giro, a empresa deverá ter mecanismos para controlar a inadimplência, ao mesmo tempo em que procura negociar dívidas de longo e médio prazo e procura reduzir gastos.

Viu como o capital de giro é um elemento muito importante e que não pode ser deixado de lado?

Se você ainda tem dificuldades em gerenciar suas finanças, talvez a solução dependa do apoio de especialistas.

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Flávia Volpi
Flávia Volpi

A Flávia Volpi é CEO e Diretora Financeira do Grupo Soften. Formada em Administração de Empresas, é responsável pelo equilíbrio das contas do grupo e quando arruma um tempinho nas horas vagas, escreve para o blog.

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